segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Circo Místico de Selton Mello

Por Jader Moraes*

Finalmente assisti o aclamado filme O Palhaço, escrito, dirigido e protagonizado por Selton Mello. E, de cara, faço um alerta: não espere nada demais do longa. Ele é simples. Bem simples. E por isso é encantador!
O roteiro bem construído, o elenco afinado, a direção inspirada, a fotografia belíssima, tudo é favorável ao longa, que entrou na categoria hors concours do Festival do Rio. O filme conta a história de um palhaço em crise de identidade. ”Eu faço o povo rir, mas quem é que vai me fazer rir?”, questiona Benjamim a certa altura, numa cena de incrível sensibilidade.
Rodado em estilo road movie, o filme diverte desde os primeiros minutos e envolve o espectador por trazer à cena pequenos dramas de um trupe circense, igual à tantas outras que ainda hoje resistem Brasil afora. A escassez de público, as dificuldades financeiras, as trapaças, o fim que se aproxima (e inevitavelmente uma hora vai chegar), está tudo ali.
Do elenco, não há um grande destaque: Paulo José e Selton Mello emocionam e fazem rir na pele de pai e filho, o elenco de apoio está bem entrosado e as participações especiais são, todas, enriquecedoras - com destaque para Moacyr Franco, que protagoniza o que talvez seja um dos momentos mais divertidos da fita.
E se Selton Mello é apenas correto ao achar o tom certo de seu palhaço, na direção do longa ele se mostra um gigante. E brilha. Este é seu segundo filme como diretor - o primeiro, Feliz Natal, também foi bastante elogiado, mas ainda não vi - e Selton consegue imprimir uma marca bem particular à sua obra.
Quer seja pelas tomadas que captam as reações do respeitável público, pelo ritmo do filme que não cai em um segundo sequer, por alguns ângulos bem criativos ao longo dos 88 minutos ou pela feliz harmonia do elenco. Ou ainda pela belíssima cena final, gravada em um plano-sequência bem interessante, a todo momento sente-se a mão firme e segura do diretor. O Selton-diretor sobra em cena.

E fora o que já ressaltei, destaca-se também a trilha sonora, que remete ao circo, como não poderia deixar de ser, mas tem boas nuances, transitando bem entre as cenas mais alegres e aqueles mais reflexivas, além de fazer uma justa homenagem à nossa música popular. Aliás, o longa é uma obra de exaltação da cultura popular e faz isso com maestria!
Enfim, um filme imperdível, por sua beleza, singeleza e por trazer a boa comédia de volta às telas do cinema nacional (depois de algumas bombas recentes).

* Jader é jornalista

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cada um Vive Como Quer

Por Igor Chiesse*
 

   Neste filme clássico dos distantes anos 70 , Jack Nicholson interpreta um papel um tanto quando diferente em sua trajetória. Nicholson rouba a cena vivendo o papel de Robert Eroica Dupea , um pianista que constantemente muda de estilo de vida , por se cansar das questões do rotineiras da sociedade. Um talentoso pianista, que bruscamente decide abandonar o seu talento e ir em busca de aventuras pessoais , sempre com muita farra e mulheres ao seu redor. O personagem tem um tom de constante aventureiro, pois raramente se encontra fixo em algum lugar. 
   De pianista até operário, uma mudança brusca ao estilo de vida de Robert Eroica Dupea  ( Jack Nicholson ). Robert só resolve voltar a sua casa para poder ver o pai, que estava visivelmente doente. A temática do filme envolve temas da contracultura americana, no auge dos anos 70 aonde os movimentos de liberdade pensamento, expressão foram devidamente expostos ao mundo. Esta temática pode influenciar os que puderem conferir o ótimo trabalho do diretor Bob Rafelson com o ator Jack Nicholson, vivendo aquele que é um dos papéis de maior expressão do ator. Robert Eroica Dupea ( Nicholson ) , tem uma namorada um tanto quanto descontraída e agitada , Rayette Dipesto (Karen Black), é a sua namorada, uma mulher muito bonita porém com pouquíssima inteligência para os demais.Mais do que um simples agitador , um homem em constantes aventuras , no decorrer do filme o personagem concentra-se em uma amor não correspondido , é totalmente fisgado pela presença da jovem  Catherine Van Ost (Susan Anspach), uma exuberante mulher que o faz pensar e refletir algumas questões da vida , tal como o verdadeiro amor e o sentimentalismo sincero que jamais o fizera pensar assim como antes.
   O filme foi o 1º longa metragem produzido pelo diretor  Bob Rafelson em parceria com o ator Jack Nicholson, os demais foram: O Dia dos Loucos (1972), a (1981) e O Cão de Guarda (1992) e sangue e vinho (1997). A brilhante atuação de Jack Nicholson, lhe rendeu 1 indicação ao Oscar de melhor ator. Quem não viu, não pode deixar de conferir este ótimo trabalho, uma verdadeira aula de atuação do ator Jack Nicholson. 

 

Título Original: Five Easy Pieces
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1970




*Publicitário, cartunista e escritor

Programação de junho do Cine Clube foto

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Retorno de Irma Vap


Por Larissa Bastos*

O filme de 2006 é adaptado de "O Mistério de Irma Vap" (The Mistery of Irma Vap), o texto mais popular da dramaturgia de Charles Ludlam que é o pilar deste  longa de Carla Camurati. Tanto a peça (que também é mencionada no filme) quanto o filme trazem Marco Nanini e Ney Latorraca como protagonistas, que se revezam em papéis femininos e masculinos, com atuações excelentes e hilárias. No teatro, a peça passou 11 anos em cartaz, registrada no Guiness Book como a peça de maior tempo em cartaz, mantendo o mesmo elenco.
Marcos Caruso vive Otávio Gomes, que no filme é um dos produtores da montagem original e, junto com Luiz Alberto, o Lula (Leandro Hassum), filho de seu parceiro, pretendem remontar a peça para o teatro. A maior dificuldade é conseguir falar com Tony Albuquerque (interpretado por Marco Nanini), um dos atores da primeira montagem, e que viveu Irma Vap nos palcos. Ele é mantido enclausurado e dominado por sua irmã Cleide, professora rabugenta de piano,  também interpretada por Nanini. 
Para solucionar a questão, Lula e Otávio convidam Darci Lopes (Ney Latorraca), outro ator da peça, agora, um artista esquecido e decadente, para ser o diretor da volta de Irma Vap aos teatros, que será interpretada por atores jovens: Leonardo Aguiar (Thiago Fragoso) e Henrique D’Ávilla (Fernando Caruso). Já que Tony detém os direitos autorais da peça, é uma questão de necessidade que eles cheguem até ele, porém a irmã Cleide, em vez de permitir a aproximação, falsifica a assinatura do irmão e vende os direitos de reprodução do texto.
Dentro deste enredo, há atuações espetaculares e engraçadíssimas, com destaque para Nanini e Latorraca, com personagens que remetem a  "Para Wong Foo, Obrigada por Tudo" de um modo mais ranzinza, porém não menos divertido.


*Larissa é blogueira e crítica de cinema no BLOG TENHO MAIS IRONIA QUE AMIGOS

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cine Clube Foto homenageia Saramago em Junho


Neste mês de junho a programação do Cine Clube Foto passará por diversas épocas, histórias, personagens, lugares e gêneros. Todas as segundas-feiras, sempre gratuitamente, às 19h30, exibiremos filmes e documentários de diretores brasileiros, além de uma homenagem ao escritor José Saramago - falecido em 18 de junho do ano passado - nos dias 13 e 20.

Para abrir o mês, no dia 6, teremos um filme nacional de 1967, de Glauber Rocha: “Terra em Transe”. Na fictícia República de Eldorado, Paulo Martins é um jornalista idealista e poeta ligado ao político e tecnocrata Porfírio Diaz e sua amante, a meretriz Silvia, com quem também tem um caso. Quando Porfírio se elege senador, Paulo vai para a província de Alecrim, onde conhece a ativista Sara. Juntos eles resolvem apoiar o vereador populista Felipe Vieira para governador na tentativa de lançarem um novo líder político, que guie a mudança da situação de miséria e injustiça que assola o país. No elenco Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo, Francisco Milani, Hugo Carvana, Jofre Soares e Danuza Leão.

No dia 13, exibiremos um filme inspirado no livro homônimo de José Saramago: “Ensaio Sobre a Cegueira”. Produzido pelo Brasil, Japão e Canadá, o filme é dirigido por Fernando Meirelles, com a atriz Alice Braga. Outros grandes atores como Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Gael García Bernal também estão no elenco. Uma inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade e as pessoas passam a enxergar tudo branco. A doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas.

Ainda em homenagem a Saramago, no dia 20 exibiremos o documentário “Janela da Alma”, que conta com a participação do escritor. Dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, o filme mostra depoimentos de dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual. Da miopia discreta à cegueira total, os convidados contam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. Eles fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão, como o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e a importância das emoções como elemento transformador da realidade – será que ela é a mesma para todos?

Na última segunda-feira, dia 27, teremos mais um documentário: “O Profeta das Cores”, dirigido por Leopoldo Nunes. O filme conta, através de depoimentos, a história de Antonio da Silva Nascimento, que passou a vida em orfanatos, reformatórios, prisões e manicômios, ganhando a liberdade aos 42 anos de idade. Após uma reclusão de 17 anos no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha, ele vai morar nas ruas, sob pontes e catando papelão. Antonio descobre então a pintura e intitula-se o Profeta das Cores. Logo torna-se unanimidade de público e crítica, exorcizando a consciência histórica da civilização em seus golpes coloridos contra telas e muros.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Garota da Capa Vermelha


Red Riding Hood - 2011 (EUA, Canadá)


Por Xean *

   Idade Média. Valerie (Amanda Seyfried) é uma jovem que vive em um vilarejo aterrorizado por um lobisomem. Ela é apaixonada por Peter (Shiloh Fernandes), mas seus pais querem que se case com Henry (Max Irons), um homem rico. Diante da situação, Valerie e Peter planejam fugir. Só que os planos do casal vão por água abaixo quando a irmã mais velha de Valerie é assassinada pelo lobisomem que ronda a região.
   Essa é a trama central do filme que é uma versão mais pesada nos cinemas do clássico Chapeuzinho Vermelho, popularizado pelos Irmãos Grimm.
   Com direção de Catherine Hardwicke - a diretora de Crepúsculo, de 2008 - e produção de Leonardo DiCaprio, esse suspense com um pouco de romance  consegue criar um clima de mistério e contar com uma boa direção de arte, mas peca um pouco nos diálogos e  algumas reviravoltas que acontecem muito rapidamente, além da censura branda que estraga algumas cenas. As lutas são muito rápidas e o sangue quase nem aparece quando o lobo/lobisomen ataca as pessoas.
   Parece que a diretora se inspirou em Crepúsculo para fazer esse filme, ao invés de se inspirar no filme Floresta Negra de 1997, a versão pesada da Branca de Neve, um filme muito bom, com um suspense bem pesado mesmo.

   A Garota da Capa Vermelha é muito bem feito, uma boa história, apesar dos pequenos defeitos que não estragam muito a diversão de vê-lo. Vale a pena ver assistir!


*Xean é publicitário

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O sombrio universo de “O Corvo”

Por David Vieira*

  Adaptado do HQ “The Crow”, de James O’ Barr, o filme “O Corvo”, de 1994, foi o primeiro grande filme dirigido por Alex Poyas, que posteriormente foi o responsável por clássicos como “Eu, Robô”, protagonizado por Will Smith, e “Cidade das Sombras’, no qual também compôs a história e o roteiro.
“O Corvo” é um filme um tanto quanto sombrio, mas envolvente. Conta a história do casal Eric Draven (Brandon Lee) e Shelly Webster (Sofia Shinas) que foram brutalmente assassinados, uma noite antes do casamento, pela gangue de T-Bird. Um ano depois Eric volta para vingar sua morte e de sua noiva, guiado por um corvo.
   A trilha sonora do filme é simplesmente insinuante. A cada passo, pensamento e lembrança do personagem a história fica mais sedutora sendo somada ao instrumental. O que também não deixa a desejar é o cenário gótico misturado com o som de “The Cure” e trechos de shows de rock. Mas não é apenas a trilha que tem o filme tem, de especial. Os diálogos e frases soltas em uma forma sucinta de mostrar que nada na vida é trivial complementam o clássico.
   O filme também é repleto de fatos curiosos e sombrios. Um deles é a morte do ator Brandon Lee (filho de Bruce Lee). A cena da morte do personagem Eric Draven seria realizada com munição de verdade, mas sem pólvora, pela curta distância do take. Para se proteger, o ator entrava na cena com uma sacola de supermercado (aquelas americanas, de papel) para reduzir o impacto e esconder a bolsa com sangue falso. Ao limpar a arma para retirar as cápsulas, o assistente do armeiro acabou por derrubar um dos projéteis no cano. Esse projétil foi disparado, provocando perfurações nos órgãos internos e partindo a coluna de Brandon, causando hemorragia interna. Nem a cirurgia de seis horas para retirada da bala conseguiu salva-lo.
   Conta-se que o arquivo da gravação com a morte do ator foi totalmente destruído e nunca revelado. Porém, há uma corrente de fanáticos pelo filme que garante que a cena foi aproveitada nas gravações, mas em um momento diferente. Houve também incêndios reais no set de filmagem. Contudo, é um clássico do cinema que deve ser apreciado para se entender a verdadeira mensagem do filme. Ótimo também como um conforto para as pessoas que perderam entes queridos.
   A ave negra continua guiando atormentados do mundo dos mortos em três sequências do filme O Corvo: A Cidade dos Anjos (1996); A Salvação (2000) e Vingança Maldita (2005).

*Produtor da banda de rock cearense “My Fair Lady”

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Velozes e Furiosos – Operação Rio

 Fabiana Longo*

   O quinto filme da série “Fast & Furious” não faz jus aos anteriores, nem de longe. Criado em 2001 para conquistar os apaixonados por carros e velocidade, a fúria foi bem mais intensa que a velocidade na “Operação Rio”. As corridas não são mais o foco, a trupe de Dominic Toretto (Vin Diesel) entra na onda do “Onze Homens e Um Segredo” e vem ao Rio para cometer um assalto mirabolante (inclusive o título em inglês – Rio Heist – já revela isso).

   O filme começa exatamente onde o anterior parou: com o ex-agente do FBI Brian (Paul Walker) e a irmã de Toretto Mia (Jordana Brewster) concretizando a emboscada ao ônibus da penitenciária que transportava Don, para livrá-lo da cadeia. Esta primeira cena já é impossível de ser feita no plano da realidade, apenas com efeitos especiais – aliás, os efeitos especiais são a melhor razão para ver o filme. Com a emboscada bem sucedida, os irmãos Toretto e Brian vão parar no topo da lista de procurados pelo FBI. Decidem então se refugiar no Brasil, onde um dos personagens do primeiro filme, Vince (Matt Schulze), já está instalado e com mulher e filho na reconhecível favela da Rocinha.
Poucas cenas foram realmente gravadas no Rio, a maioria dos cenários foi encaixado por computação gráfica. Mas isso fica bem perceptível quando eles estão realizando o assalto em um deserto tipicamente americano, que desemboca na Rocinha, e em uma cena em que estão no alto de um prédio, onde à esquerda podemos observar a praia de Botafogo e à direita o teatro Municipal. A ponte Rio-Niterói também não tem nem a metade do tamanho da obra original. Outra coisa também infiel ao original é o personagem de Dominic, que nos enredos anteriores era um rebelde apaixonado por velocidade e um ladrão ocasionalmente. Já no começo do filme ele mostra um instinto assassino que ainda não havia aparecido em momentos tão despropositais e uma desconfiança que, até então, não mostrava prévias razões.
   Para caçar o trio na cidade maravilhosa, o FBI envia o agente casca- grossa Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson), que já chega chamando toda a polícia carioca de corrupta e escolhendo sua parceira brasileira nessa operação pelo sorriso, a policial-tradutora-única-honesta-do-Rio Elena Neves (Elsa Pataky). No Rio, a equipe de Toretto já chega arrumando confusão com peixe grande: o empresário Hernan Reis (Joaquim de Almeida), que é responsável por um grande esquema de lavagem de dinheiro e leva a polícia em seu bolso.     A caçada então começa: os capangas de Reis e a equipe do FBI contra os velozes, mas acabam por trocar tiros uns com os outros, provocando enorme baixa em ambos os times e com Dom e companhia saindo ilesos.
As armas apareceram mais que os carros nessa continuação. Todos armados pelas favelas do Rio e também no local onde os “pegas” eram realizados (outro cenário carioca que eu não consegui reconhecer, me pareceu ser no Leblon, mas não foi muito fiel, se alguém souber onde era pode comentar). Pegas que, aliás, não apareceram. Quando Dom e Brian saem em busca de um carro veloz para realizar o assalto, nós espectadores pensamos: “oba! corridas”, mas é apenas um ledo engano. Logo o enredo volta ao QG da equipe. E uma grande equipe! Outra razão para assistir o filme. Para o trabalho, além dos quatro que já estão no Rio, Dom e Brian convocam ao Brasil os latinos Tego (Tego Calderon) e Rico (Don Omar), o comediante Tej (Ludacris), o “fantasma” Han (Sung Kang), a belíssima Gisele Harabo (Gal Gadot) e o nervosinho Roman Pearce (Tyrese Gibson). Aliás, a presença de Han, que morre no Desafio em Tóquio, terceiro filme da sequência, sugere que o filme se passa antes deste. Em um momento Han pergunta: “Ué, mas a gente não ia para Tóquio?” e recebe a resposta: “Calma, isso é depois”. 


   O trabalho que a equipe faz no Rio não vou revelar aqui, afinal, seriam “spoilers”, mas rende muitas cenas de ação, uma bela porradaria entre Vin Disel e The Rock, grandes efeitos especiais e um enredo divertido (apesar de sem sentido). A direção ficou por conta do americano-taiwanês Justin Lin, que dirigiu os três últimos filmes da sequencia. Ao estilo dos filmes de heróis da Marvel, o filme tem uma cena pós créditos, que já indica uma continuação. Então não saiam do cinema antes disso. 

*Jornalista

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dia 16/05 não haverá Cine Clube

Galera, desculpem o transtorno, hoje dia 16 de maio não haverá Cine Clube Foto como havíamos publicado. O Clube está passando por reparos em sua sede, mas semana que vem volta ao normal!

Obrigada pela compreensão!
Até a próxima

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Conta Comigo

*Bruno Vicente


A filmografia de Rob Reiner não é muito extensa, porém tem filmes consideráveis, como Harry & Sally, Antes de Partir e essa excepcional e poética obra.
Baseado no conto The Body (O Corpo) do mestre do terror Stephen King, Conta Comigo é semi-autobiográfico, e é uma ode à infância tal como ela é e o agridoce rito de passagem para a juventude. Conta a história de quatro garotos, no interior do estado do Oregon, que passam o verão de 1959 juntos, aproveitando os dias para se divertir e ocupar o tempo livre. Um deles descobre um cadáver, e os outros resolvem acompanhá-lo a fim de saberem a aparência de um corpo putrefato. É aí que se inicia a jornada deles, onde cruzarão estradas e trilhas a fim de ver o corpo, se expondo muitas vezes a riscos, inclusive de morte. A descoberta do corpo é pouco perto da descoberta do valor da amizade e da vida, e nesta caminhada confrontarão a si mesmos (quem não se lembra da tragicômica cena da aflição do garoto pelas sanguessugas em suas “partes baixas”?).
 O final, nada feliz, nos faz pensar em nossa própria vida: nossos rumos, escolhas, as injustiças da vida, os acontecimentos inevitáveis e a perda da inocência. A história do elenco é um exemplo disso: enquanto uns faleceram ou foram mandados ao limbo (as promessas River Phoenix e Corey Feldman, e o veterano Richard Dreyfuss), outros saltaram para o estrelato (Kiefer Sutherland, John Cusack – quase um figurante aqui), nada diferente do que ocorre com o protagonista Gordie e seus companheiros.
Sobretudo, uma bela história sobre as coisas que realmente importam nesta vida.

*Crítico de Cinema do Jornal Volta Cultural

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Programação Brasileira em maio no Cine Clube Foto

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Cine Clube Foto totalmente Brasileiro no mês de maio

A programação do mês de maio do Cine Clube Foto está totalmente nacional, homenageando nosso país de tantas culturas e talentos. Durante as quatro segundas feiras a partir do dia 9 teremos filmes clássicos e novos, o que só fortalece o objetivo do projeto de exaltar o cinema Brasileiro.
No dia 9 teremos o filme “Cinema, Aspirinas e Urubus” de 2005, com direção de Marcelo Gomes e trás no elenco Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Oswaldo Mil.
O filme passa-se em 1942, no sertão nordestino, e conta a história de dois homens vindos de mundos diferentes que se encontram: Johann, alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. E Ranulpho, um homem simples que sempre viveu no sertão. Após ganhar uma carona de Johann, Ranulpho vira seu ajudante nas vendas. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Cinema, aspirinas e urubus é o relato de Ranulpho sobre essa sua viagem.
Na semana seguinte teremos um clássico de 1987 “A Dama do Cine Shanghai” com Maitê Proença, Antonio Fagundes, José Mayer, Paulo Villaça e direção de Guilherme de Almeida Prado.
O longa conta a história do corretor de imóveis Lucas, que em uma noite úmida de verão entra em um velho cinema de São Paulo. Dentro da sala ele conhece Suzana, uma mulher muito parecida com a que está no filme em exibição. Sedutora e misteriosa, ela é casada com Desdino e renega as tentativas de Lucas em conquistá-la. Quando é injustamente acusado de assassinato, Lucas passa a buscar o verdadeiro autor do crime. Só que quanto mais investiga mais as pistas apontam para Suzana e Desdino.
O terceiro filme do mês é “O Corpo” de 2001 e direção de José Antonio Garcia, adaptação do conto homônimo de Clarice Lispector, assim como “A hora da Estrela” que já foi exibido no Cine Clube Foto, a produção também traz Carla Camurati no elenco, acompanhada de Daniel Filho, Cláudia Jimenez, Marieta Severo e Antônio Fagundes.
O filme é uma tragi-comédia sobre a liberdade e o amor. O Farmacêutico Xavier vive em paz com suas duas esposas: Carmen e Breatriz. O clima é de total harmonia, apesar de bigamia ser reprovada pela sociedade. A harmonia acaba quando ele se apaixona por uma terceira mulher e a tem como amante: Monique, uma dançarina de cabaré.
E para encerrar o mês “Madame Satã” de 2002, um filme com censura de 16 anos, direção de Karim Aïnouz com Lázaro Ramos, Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui, Felippe Marques.
Passa-se na Lapa, Rio de Janeiro em 1932. João Francisco é um artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. Ele vive com Laurita, uma prostituta que ele acolheu; Firmina, filha de Laurita; e Tabu, seu cúmplice nos golpes. Ele conhece Renatinho que logo se torna sem amante e que acaba por traí-lo. Enfurecido, João acaba sendo preso. Quando é libertado ele começa a se apresentar no bar Danúbio Azul, de Seu Amador. É neste ambiente que João Francisco se transforma no mito Madame Satã, nome retirado do filme de Cecil B. deMille, favorito do artista.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Zuzu Angel no Cine Clube Foto

A coordenadora do Cine Clube, Leslie Assis, apresenta o
projeto aos 'novos' espectadores do Cine Clube Foto.
Foto de Thayra Azevedo

Depois de dias longe das redes sociais e sem internet retornarmos em uma volta triunfal!

No dia 25 de abril o Cine Clube Foto exibiu o filme Zuzu Angel, em comemoração ao aniversário de sua morte da estilista (14/04). O filme conta a história real de Zuzu Angel, vivida por Patrícia Pillar. Passado no Brasil nos anos 60, aborda a luta que a estilista travou como mãe, contra tudo e todos, na busca pelo seu filho Stuart (Daniel de Oliveira). Zuzu Angel era uma mulher de sucesso, projetou a moda brasileira no mundo. No mesmo período em que sua carreira começa a deslanchar, seu filho Stuart ingressa no movimento estudantil, contrário à ditadura militar. Stuart é preso, torturado e assassinado pelos agentes do Centro de informações de Aeronáutica, sendo dado como desaparecido político. Inicia-se então o périplo de Zuzu, denunciando as torturas e morte de seu filho. Suas manifestações ecoaram no Brasil, no exterior e em sua moda.
Um filme emocionante e muito bem produzido.
Recebemos a visita de espectadores novos e ficamos muito felizes de saber que muitas pessoas também valorizam nosso cinema Brasileiro!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Rede Social

*Marcus Oliveira

O filme da vez seria o Cheiro do Ralo (excelente nacional), mas, fui obrigado no final de semana pela segunda vez prestigiar o queridinho A Rede Social (The Social Network) então tomado pela febre que ainda não me pegou. Vamos a ele!
Para invadir de cara a expectativa e ansiedade de todos que queriam muito ver, o diretor David Fincher de cara nos vence na primeira cena por exaustão, antes mesmo dos créditos iniciais.
Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) fala sem parar sobre os QIs dos gênio e as fraternidades mais exclusivas de Harvard numa velocidade que a sua namorada, à sua frente, não consegue acompanhar. A trilha sonora inicial já deixa clara a velocidade e todo contexto conturbado no qual o filme se desenrola, uma linguagem um tanto normal, em  se tratando de Facebook. Isso fica claro no instante seguinte, a saída do pub, os créditos do filme, quando toca fora de cena a primeira faixa composta por Trent Reznor e Atticus Ross especialmente para a trilha, "Hand Covers Bruise" (é a mesma música que fica ao fundo no site oficial). Nela, acordes simples ao piano vêm acompanhados de um zumbido que nos deixa, ao mesmo tempo, apreensivos e anestesiados.
Há um clima de urgência se instalando em A Rede Social, como se Mark Zuckerberg, depois do fora, corresse ao dormitório empurrado pelo destino, chamado a cumprir um papel crucial para o próprio futuro. O nerd não é um macho alfa, de qualquer forma, e como Mark tem à mão a Internet, tudo que consegue neste momento é criar posts rancorosos no velho Livejournal. Para se vingar das mulheres, Mark hackeia do seu quarto em Harvard algumas redes de faculdades e cria um site que ranqueia fotos de universitárias. É ai que o filme começa a criar forma e cor.
Com um pé na realidade aproveitamos o espaço para desmanchar o filme até aqui, pois, segundo o real Mark, nunca existiu tal namorada.
A Rede Social, então, funciona em dois níveis. O primeiro é o mundo como o narrador Zuckerberg vê uma história turva cheia de eventos desinteressantes. Cenas como a da regata, festas surreais de clãs, são apenas pratos cheios para o próprio Mark retirá-los do caminho e fundar “a grosso modo” sua Rede Social. O segundo nível, em oposição, é o mundo de fato - que em seu movimento de pura inércia não se deixa alterar pelos atos de Zuckerberg, ao contrário do que o nosso anti-herói, na sua mania de grandeza, gosta de pensar.
Sobre David (diretor), estabelece no filme a sensação de impotência que, podemos dizer, é comparável à de Zodíaco (filme do mesmo diretor David), um filme com personagens que também projetam no mundo relações irreais de causa e efeito, para preencher seus vazios. No suspense, o jornalista e o cartunista procuram pistas de um assassino que talvez não exista mais. Em A Rede Social, Zuckerberg, desde aquela primeira cena no bar com sua namorada, enxerga segundas intenções em tudo.
O Mark Zuckerberg da realidade tem todo o direito de reclamar do seu retrato ficcional, que afinal é simplificado para se encaixar num certo perfil, num certo arco. Mas o Zuckerberg do filme, embora pareça, não é uma vítima das circunstâncias ou do seu temperamento. É, sim, vítima de seu tempo.
O desenrolar do filme são business e a vida da própria rede social, como uma praga na plantação, em meio a “mil e uma” cenas de brigas judiciais, lá está Zuckerberg cravando seu espaço.
Um filme para aprender, analisar literalmente relações e sua vida profissional, e acima de tudo nos projetar para a internet dos próximos 4, 3, 2, 1 ano, não em expectativa com as novidades, mas sim, sobre valores, ética e privacidade deste futuro recente. A pergunta a ser feita é: será que ainda temos tempo de pensar isso tudo?

* Publicitário

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Zuzu Angel no Cine Clube Foto


Na próxima semana a sessão do Cine Clube Foto será especialmente na quarta-feira, dia 20-04, às 19h30, com o filme Zuzu Angel. O filme é em homenagem ao aniversário de morte da estilista, que no dia 14 de abril fez 35 anos de saudades.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um estranho no Ninho

One Flew Over the Cuckoo's Nest

*Igor Chiesse

Sem sombra de dúvida, um dos melhores filmes já feitos e realizados até hoje, no cinema mundial. Interpretações fantásticas “Sir Jack Nicholson” como protagonista, elenco bem sintetizado, enredo primoroso e direção - brilhante por sinal - do experiente Milos Forman, marcaram este filme adaptado de uma obra literária do nome “One Flew Over the Cuckoo's Nest" – escrito por Kesey como um dos melhores já produzidos. A história gira em torno do personagem Randle Patrick Mcmurphy, interpretado magistralmente por Jack Nicholson. Randle é um malandro nato, vive sobre a alcunha e personalidade de folgado, esperto e um homem de persuasão muito forte, voltadas para a vadiagem. Claro que estas “virtudes” acabaram fazendo com que ele se envolvesse em uma série de atos que o fizeram, por fim, ser preso e condenado. Até aí, parece um enredo bastante simples e comum, assim vamos dizer. Porém, com uma sagacidade e malandragem “intuitiva” de Randle Mcmurphy, que finge-se de louco para escapar dos trabalhos árduos que levaria na prisão e outras situações pesadas e penosas, e, aceita ser jogado em um hospital psiquiátrico em busca de tratamento de sua ”loucura”.  No começo, tudo é uma festa para Randle Mcmurphy. Ele instala um ar de zombaria dos tratamentos, dos pacientes “fazendo pouco caso”, até mais adiante, entender que aquilo seria de fato um local muito fácil para entrar e completamente difícil para sair. Vemos personagens como a enfermeira-chefe, Ratched (Louise Flectcher) que comanda todos os pacientes psiquiátricos em uma sintonia orquestral. E outro grande chefe, porém no sentindo indiano, Brondem ( Will Sampson ). Brondem é um Índio nativo gigante, mudo, inexpressivo que mais adiante, acaba tornando-se de fato uma figura-chave na vida de Randle Mcmurphy.  Ambos conseguem criar uma sintonia incrível. De fato, o índio e o malandro no filme apresentam estruturas muito diferentes e iguais ao mesmo tempo. Um era livre de pensamento e modos, enquanto o outro era reprimido e estático diante de tudo e todos. Porém, ambos buscam aquilo que dentro da clínica psiquiátrica era praticamente escasso e raro: a felicidade.
No filme, não são mostradas doenças psiquiátricas a fundo. O que é mais mostrado é a divergência entre os métodos e modos de tratamento dos médicos e enfermeiros com os pacientes. Caso houvesse algum problema com algum interno, eles eram submetidos a uma série de choques elétricos, que culminavam em uma espécie de “cérebro-morto”. Este tratamento por choques deixava os pacientes em um estágio completamente inerte. Eles andavam e vagavam sem sentido e direção.
Um Estranho no Ninho  com todo o seu mérito está classificado entre os 100 melhores filmes já produzidos e realizados. Realmente imperdível para os amantes da sétima arte e daqueles que procuram filmes com conteúdos e ideais a passar. Não é à toa que o filme é tão cultuado pelo mundo todo. Foi vencedor do Oscar de 1976 nas categorias de melhor filme, melhor ator ( Jack Nicholson ), melhor atriz ( Louise Fletcher ) e melhor roteiro adaptado. Além de ter vencido praticamente todos os prêmios do globo de ouro de 76, com todos os méritos e aplausos intermináveis, desta obra-prima do cinema mundial tão cultuada entre leigos e admiradores do mundo cinematográfico.  Vale a pena conferir!

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest). EUA. 1975. Direção: Milos Forman. Roteiro: Bo Goldman. Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Will Sampson, Brad Dourif, Danny DeVito, Christopher Lloyd, Vicent Schiavelli. Gênero: Drama. Duração: 133 minutos.
*Publicitário, cartunista e escritor

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cine Clube Foto traz reflexão sobre a manipulação da mídia



O Cine Clube Foto, em parceria com o Fórum de Comunicação Democrática do Sul Fluminense (SulFlu.Com), apresenta na próxima segunda-feira (11/04) o filme “Boa Noite e Boa Sorte”, do diretor George Clooney. O roteiro, escrito por Clooney e Grant Heslov, conta uma história que aconteceu realmente nos Estados Unidos na década de 50 e nos mostra que a mídia tem o poder de influenciar e manipular nossos pensamentos e opiniões, e como ela é controlada pelos poderosos.

No enredo, o jornalista e âncora da CBS Edward R. Murrow, representado por David Strathairn, entra em um embate com o Senador Joseph McCarthy, mostrando aos seus telespectadores as táticas e mentiras usadas pelo político em sua “caça aos comunistas”. O Senador, ao invés de aceitar o direito de resposta oferecido no programa, começa um duelo midiático contra Murrow, que traz consequências para a TV recém-implantada nos Estados Unidos. O filme conta ainda com as atuações de Robert Downey, Jr., no papel do editor e correspondente da CBS, e George Clooney, que representa o coprodutor do telejornal de Murrow.

O SulFlu.Com  já está na luta pela democratização da comunicação desde 2007, quando nasceu com o nome de “Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense”. Desde então organizou a Conferência Regional de Comunicação, com a presença de sete municípios e enviou delegados para as etapas Estaduais e Nacionais da Conferência de Comunicação (Confecom). Além disso desenvolve o projeto de Leitura Crítica da Comunicação, com a Pastoral de Comunicação da Cúria Diocesana de Volta Redonda e continua na luta para que as propostas da Confecom não fiquem só no papel.

A conscientização de todos que comunicação não é um assunto para ser tratado apenas pelos produtores de conteúdo, mas por toda a população, que está sujeita a ela todos os dias, é uma das bandeiras mais importantes do SulFlu.Com. Após a exibição do filme, os representantes do fórum estarão conosco para uma leve discussão sobre o tema com os presentes. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cisne Negro - Suspense e horror com a beleza do balé

* Fabiana Longo

O diretor Darren Aronofsky é um dos nomes favoritos dos cinéfilos da atualidade. Apesar de ter feito poucos filmes, na sua estréia em Pi, já conquistou aqueles que gostam de um cinema alternativo. Por Cisne Negro se tratar de uma superprodução hollywoodiana houve quem pensasse que o diretor poderia não dar conta ou que poderia perder a meada do conflito, já que a característica principal de seus filmes é a exploração da psique humana e dos limites que podemos ultrapassar.
A primeira cena do filme já nos dá uma boa dica de como será todo o enredo. Uma linda cena de dança, misturada com a imaginação fértil de uma garota que pouco vive fora do universo do balé e é tratada como uma bailarina de louça pela mãe. No desenrolar do filme, percebemos que não é a imaginação da garota que causa efeito, mas sua loucura.
A ganhadora do Oscar Natalie Portman realmente mereceu o prêmio. A bailarina Nina Sayers, interpretada por ela, é completamente sem graça, como uma tábua. Natalie tem que se despir de qualquer sentimento para interpretar a garota no começo. Ao longo do filme, tem que demonstrar diversas emoções que a menina parecia nunca ter experimentado: inveja, ciúme, desejo, raiva, orgulho... tudo como se fosse a primeira vez.
Seu sonho é se tornar a primeira bailarina da companhia de Thomas Leroy (Vincent Cassel). O espetáculo a interpretar é O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, que Leroy quer encenar uma montagem "crua e visceral". Nina é a bailarina ideal para interpretar a inocente e virginal Odette, o Cisne Branco, porém não tem nada para interpretar a gêmea má e sensual, Odile, o Cisne Negro. Leroy confia o papel a ela apostando que, até o momento do palco, a bailarina que era apenas doçura e técnica conseguiria libertar o lado negro que está dentro de cada um de nós.
Para forçar mais a barra, a antiga primeira bailarina, Beth, interpretada por Winona Ryder, não acredita que a menina tenha o que o papel precisa. O conflito fica claro na aparição de Mila Kunis, que interpreta a sedutora Lily, a bailarina perfeita para fazer o Cisne Negro. Mila dá um show, e só não rouba a cena de Natalie porque esta foi genial no papel, foi surpreendenteb que Mila não tenha sido indicada para o Oscar de atriz coadjuvante.
No desenrolar da trama, observamos Nina perder aos poucos a sanidade mental e a inocência, incorporando a gêmea má, como se estivesse trocando de pele . O psicológico se manifesta no físico e, mesmo com todos os esforços da mãe (Barbara Hershey) para que sua garotinha não se machuque, Nina passa a viver para que consiga se expressar como Odile. As cenas de sedução entre ela e Leroy são bem fortes, mas sem mau gosto. Os reflexos da insanidade da garota são muito bem retratados, e chegamos a ter dúvidas se algumas cenas eram reais ou foram alucinações. Para alguns (como eu), algumas dessas cenas passaram dos limites, mas a tradição de Aronofsky é mesmo de quebrar limites. 


*Jornalista